terça-feira, 20 de novembro de 2012

A contracultura negra

Hoje é dia da consciência negra, e para celebrar essa data tão importante para o movimento Hip-Hop, vamos falar um pouco da contracultura negra que atravessou séculos e chegou no Bairro do Bronx para dar início ao Rap.
Todos já sabem que o Rap surgiu nas periferias americanas como uma forma de expressão vinda dos jovens negros que queriam revindicar as más condições nos guetos, o racismo e outros problemas. Entretanto, eles não foram os únicos a usarem a música como maneira de expressão, esse hábito vem desde o inicio da história afro-americana. 
Tudo começou no período da escravidão com os cantos de trabalho, também conhecidos como "spirituals". Para esquecer um pouco da realidade e se distrair durante o trabalho nas lavouras, os negros cantavam. Os senhores das fazendas começaram a perceber que ao cantar os escravos ficavam mais felizes e por isso rendiam mais, então essa prática passou a ser permitida. A escravidão teve fim nos EUA no século XIV, mas muitos negros ainda não tinham o que comemorar, pois sofriam o com o preconceito racial e a falta de oportunidades. 
Para expressar toda sua dor e abandono criaram o Blues, assim como nas canções de trabalho, o Blues foi uma forma que os negros encontraram para manter suas raízes e resistir a cultura européia imposta pela sociedade.
Sequencialmente surgiu o Jazz, o estilo nasceu em Nova Orleans. Inicialmente ficou conhecido pelo resto da sociedade como música profana, porém, atualmente ele é o ícone da música norte-americana e talvez uma das maiores contribuições que os negros deram para a história da música. Nos anos 20 o estilo passou a ter a adesão de muitos músicos brancos, e com o tempo foi perdendo sua característica de contestação social, para revidar os negros criaram o be-pop, e permitiram algo que foi inédito na música popular até então: a improvisação.

 Nos anos 60, o Rock ganhou força maior dentro dos meios fonográficos, fazendo com que o Jazz enfraquecesse. Entretanto, os negros nos EUA já se preparavam para criar um ritmo musical que pudesse chamar atenção para o estilo irreverente dos afro-americanos, esse ritmo ficou conhecido como Soul Music.
A Soul Music é o resultado da soma de dois estilos musicais criados pelo afro-americano: o Blues, que procurava retratar toda dor que os mesmos viviam no período pós-escravidão e o gospel, presente nas igrejas e recorrente dos cantos de trabalho que eram cantados pelos negros na época da escravidão. Em um primeiro momento a Soul Music ficou conhecida como força motriz para o movimento negro nos EUA, que lutava pela igualdade dos direitos civis. Grandes nomes como Marvin Gaye, Sam Cooke e Ray Charles fizeram parte do movimento musical.

Ainda seguindo esse espírito de renovação e orgulho do movimento negro surgiu o Funk, que teve como um dos seus percursores o grande James Brown. Essa manifestação não ficou restrita apenas às terras americanas, em pouco tempo o ritmo contagiante se espalhou pelo mundo todo, inclusive no Brasil, onde surgiram artistas como Tim Maia, Gerson King Kombo e Tony Tornado.

A indústria cultural se apoiou nos aspectos festivos que o Funk possuía e criou a Disco Music, ritmo que foi uma verdadeira febre nas discotecas dos anos 70. Entretanto, os negros já se preparavam para uma renovação musical. Nas ruas do Bronx, bairro de Nova York, nascia um novo estilo musical de origem afro-americana, que pretendia revolucionar mais uma vez o universo da música.
E assim chegamos no Rap, um dos elementos que melhor traduz a nova sociedade pós-industrial. No livro "Contracultura através dos tempos" Goffman e Joy afirmam que o Rap surgiu em uma época onde as classes desfavorecidas tinham sido abandonadas como uma terra urbana arrasada pelo oportunismo migratório da sociedade pós-industrial. A cultura hip-hop é um exemplo perfeito de uma urgência contracultural de considerar uma área abandonada para um jogo criativo e subversivo.

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